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Confissões Duma Geek em Londres: Os primeiros passos

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(AVISO: Os nomes referidos são fictícios para proteger a identidade das pessoas mencionadas.)

Antes de vos contar as minhas aventuras em Terras de Sua Majestade, deixem-me que vos conte como aqui cheguei.

Quando planeei vir a Londres planeei vir apenas uma semana de férias. Mas tomei uma decisão que andava a adiar a alguns anos: Ir viver para Londres!

Emigrar não é fácil e não e para todos. Porque não o fiz antes? Simples. Medo? Sim. Cobardia? Sem duvida! Mas lá ganhei coragem e tratei de tudo para ir de vez! Cheguei ao Aeroporto com duas malas , a minha melhor amiga e um ex-namorado.
Mal sabia eu que esse voo das 9h da manhã seria atrasado até às 18h… Não foi o melhor começo e eu nem desconfiava do quão certa eu estava!

Cheguei a Londres já era noite. Cansada e esfomeada mas mesmo assim de olhos arregalados ao ver as primeiras ruas da cidade. Sabia que a minha vida ia mudar!
Aterrei os pés em Liverpool Street e esperei pelo meu amigo que me veio buscar com o namorado e insistiu que fossemos a Soho tomar café , apesar dos meus protestos de querer uma cama, chá quente e dormir. Mas ele estava tão feliz por me ver que não pude dizer não por mais tempo.

Lá nos sentámos à conversa como nos velhos tempos! Partilhar aventuras e desventuras até que me apercebi que uma das minhas malas tinha desaparecido.

Dinheiro , documentos , o meu Mac novo. Foi-se tudo. Tentei não entrar em pânico. Por um momento pensei que estava a viver um musical, mas em vez de coreografias e cantorias, apenas ouvia uma voz na minha cabeça a dizer: Que estúpida…

Os dias que se seguiram foram difíceis… Fui ao consulado Português tratar do meu cartão de cidadão. Disseram-me que não era possível! Tinha que voltar a Portugal para tratar disso. Pensei Voltar? Eu cheguei ontem!
Foi então que uma senhora disse que havia outra maneira e agarrei essa oportunidade conseguindo finalmente o meu cartão!
Mas os meus dias difíceis tinham apenas começado. Tinha que arranjar um trabalho e depressa! Enviei dezenas de aplicações online, fui a imensas entrevistas, passei frio nas ruas e fome durante o dia… Mas isso eu aguentava. O que eu não esperava era a mudança de atitude do meu amigo.

Brutus era meu amigo há quase dez anos! Estudamos juntos e sonhamos juntos! Mas os dois anos que ele passou em Londres mudaram-no… Passado uma semana ele estava diferente! Sempre chateado e a dizer que eu não estava a procurar trabalho correctamente. O que mais me irritou foi ele dizer que ele arranjava trabalho em dois dias e eu nem em uma semana!
Pior ainda, dizia que eu devia limpar a casa e que eu devia levar-lhe chá a cama quando ficou doente. Já agora que se calhar eu devia lavar-lhe o rabinho com agua de rosas, pensei.
Mas as coisas pioraram… Começou a ameaçar-me pôr na rua. Mas o dia final estava a chegar…

Consegui arranjar trabalho! Já tinha preparado tudo para me mudar para a nova casa nesse fim-de-semana quando recebo uma mensagem a dizer: Quero que pagues tudo o que nos deves hoje. Sem falta.
Quando cheguei a casa do trabalho (não tinha direito a chave), toquei à campainha e ele abriu a porta apenas o suficiente para lhe ver metade da cara.
Disse-me: O que queres? e eu respondi: As minhas coisas! Queres o dinheiro ou não?
Ele abriu a porta e deixou-me entrar.
A minha mala estava no chão, juntamente com as minhas coisas. As palavras que trocámos foram infelizes. Ele disse que estava a gostar da situação porque finalmente agora ele tinha o poder! Dei-lhe o dinheiro. Peguei na minha mala e saí. Até hoje nunca mais o vi.

Tive sorte de ter encontrado uma senhoria que entendeu a minha situação e que me deixou ficar mesmo sem poder pagar a renda no primeiro mês. Mais tarde ela contou-me que o mesmo lhe aconteceu quando veio para Londres, mas que tinha sido o próprio irmão a fechar-lhe a porta na cara.

Recebi uma mensagem do Brutus meses depois, a perguntar se tinha aprendido a sobreviver em Londres. Não respondi, mas a verdade é que aprendi que situações más tanto nos podem levar para o Lado Negro da Força como para o lado da Força. O que nos acontece não nos define. Cabe a nos decidir se somos Sith ou Jedi.

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